Publicado em 13 de outubro de 2026
A origem do sobrenome Monteiro está num emprego, e não num lugar ou no nome de um antepassado. Na Idade Média portuguesa, monteiro era quem caçava nos montes e vigiava as matas reservadas ao rei. A palavra virou nome de família e atravessou o oceano com a colonização.
É o mesmo caminho de outros sobrenomes de profissões: o trabalho de alguém acabou marcando a identidade de gerações inteiras. No caso de Monteiro, a profissão tinha até um chefe com cargo oficial na corte, o monteiro-mor.
Em resumo: o sobrenome Monteiro, origem portuguesa e ocupacional, vem do monteiro, o caçador e guarda das matas da Coroa. Chegou ao Brasil com os colonos e hoje é o 58º sobrenome mais comum do país, segundo o Censo 2022 do IBGE, com cerca de 862 mil pessoas.
Neste artigo:
- O que significa o sobrenome Monteiro?
- Origem do sobrenome Monteiro: de ofício a nome de família
- O monteiro-mor e a caça real em Portugal
- Como o sobrenome Monteiro chegou ao Brasil
- O sobrenome Monteiro no Censo 2022 do IBGE
- O sobrenome Monteiro é judeu?
- Brasão do sobrenome Monteiro: o que é verdade
- Personalidades com o sobrenome Monteiro
- Perguntas frequentes
O que significa o sobrenome Monteiro?
O significado do sobrenome Monteiro é bem literal. A palavra vem de monte mais o sufixo eiro, o mesmo que forma nomes de profissão como ferreiro, carpinteiro e sapateiro.
O Dicionário Priberam registra dois sentidos para monteiro: guarda de montados, matas e coutadas, e caçador de monte. O feminino, monteira, aparece como caçadora de monte.
Para entender a palavra, vale lembrar o que era o monte na Idade Média. Não era só morro: era a área de mata e mato fechado onde viviam javalis e veados. Caçar ali exigia gente treinada, cães e conhecimento do terreno.
A montaria era justamente essa caça grossa feita em grupo, quase sempre atrás do javali. Quem participava dela de forma profissional era o monteiro.

Origem do sobrenome Monteiro: de ofício a nome de família
Monteiro entra no grupo dos sobrenomes ocupacionais, aqueles que nasceram de uma profissão. Quando as pessoas começaram a precisar de um segundo nome para se diferenciar dos vizinhos, o ofício era uma das formas mais práticas de identificação.
Assim, um João que trabalhava como monteiro virava João Monteiro nos registros. Os filhos herdavam o apelido mesmo quando não seguiam a profissão do pai, e o nome se fixou na família.
A tradição genealógica portuguesa aponta Rui Monteiro, cavaleiro de Penaguião, na região do Douro, como um dos primeiros a usar o nome. Ele teria sido monteiro-mor de D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal. Essa informação vem de nobiliários antigos e deve ser lida como tradição, não como fato comprovado.
Em alguns ramos, o nome pode ter vindo direto da palavra monte, como referência ao lugar onde a família morava, e não ao ofício. Na Espanha, a forma equivalente é Montero, com a mesma ideia de caçador de monte.
O monteiro-mor e a caça real em Portugal
O cargo de monteiro já existia em Portugal no fim do século XIII. A referência mais antiga conhecida à função é de 1282, segundo o Arquivo Central da Economia de Portugal, que guarda a documentação da antiga Montaria-Mor.
No topo da estrutura estava o monteiro-mor do reino, responsável por cuidar das coutadas reais. Coutadas eram áreas de mata onde, salvo raras exceções, só o rei e sua comitiva podiam caçar.
Abaixo dele trabalhava uma equipe com funções bem definidas:
- Monteiros a cavalo: guardas montados que vigiavam as coutadas e corriam nas caçadas.
- Monteiros-mores das terras: nomeados pelo monteiro-mor do reino para cuidar das matas fora das coutadas reais.
- Moços do monte: ajudantes que acompanhavam as caçadas.
A caça era levada tão a sério que o próprio rei D. João I escreveu um tratado sobre ela, o Livro da Montaria, composto entre 1415 e 1433. A obra trata principalmente da caça ao javali e está preservada na Biblioteca Nacional de Portugal.
A Montaria-Mor ganhou um regimento novo em 1605, assinado por Filipe II, e só foi extinta na reforma administrativa de 1832 e 1833. Foram séculos de monteiros espalhados pelo reino, o que provavelmente ajuda a explicar por que o sobrenome ficou tão frequente.
Como o sobrenome Monteiro chegou ao Brasil
O sobrenome Monteiro chegou ao Brasil com a colonização portuguesa, a partir do século XVI. Vieram colonos, militares, religiosos e funcionários da Coroa, e o nome se espalhou pelos registros de batismo, casamento e terras.
Como quase todo sobrenome português comum, Monteiro também foi passado a pessoas sem laço de sangue com as famílias de Portugal. Indígenas batizados, africanos escravizados e seus descendentes muitas vezes recebiam o sobrenome de padrinhos ou de senhores nos registros da Igreja.
Por isso, quem pesquisa a família Monteiro no Brasil precisa partir dos documentos dos próprios antepassados, e não só da história do nome. O caminho prático está no artigo sobre como descobrir a origem do sobrenome.
O nome também ficou no mapa. O município de Monteiro, no Cariri da Paraíba, homenageia Manoel Monteiro do Nascimento, que em 1800 cedeu parte da sua fazenda para a construção de uma capela, segundo a prefeitura local. Já a cidade paulista de Monteiro Lobato recebeu o nome do escritor em 1948.

O sobrenome Monteiro no Censo 2022 do IBGE
Segundo o Censo 2022 do IBGE, Monteiro é o 58º sobrenome mais comum do Brasil, nos dados divulgados em novembro de 2025. São 861.799 pessoas registradas com ele, o equivalente a 0,42% da população.
Os vizinhos de ranking ajudam a dar a dimensão. Logo acima está Bezerra, na 57ª posição, com 874.360 pessoas. Logo abaixo vem Pinheiro, em 59º, com 850.059.
Outra forma de enxergar o número: o campeão Silva soma pouco mais de 34 milhões de pessoas. Fazendo a conta, existem cerca de 40 brasileiros chamados Silva para cada um que assina Monteiro. É uma estimativa feita com os números arredondados do Censo.
Comparando com Melo, que aparece em 34º lugar com cerca de 1,52 milhão de pessoas, Monteiro tem pouco mais da metade desse total. Dá para fazer a mesma conta com o seu nome no artigo sobre quantas pessoas têm o seu sobrenome.
O mapa por estado do site Nomes no Brasil, do IBGE, mostra que o Monteiro é proporcionalmente mais comum no Norte. No Amapá, 1,54% da população tem o sobrenome (11.333 pessoas), quase quatro vezes a média nacional.
Logo depois vêm o Pará, com 1,24% (100.807 pessoas), e o Amazonas, com 0,97% (38.376 pessoas). Em Minas Gerais, por comparação, a fatia é de 0,31%.
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O sobrenome Monteiro é judeu?
Na origem, não. Monteiro nasceu de um ofício da corte portuguesa, sem ligação com o judaísmo. Mas a pergunta faz sentido, porque a história dos sobrenomes portugueses tem um capítulo complicado.
Em 1497, os judeus de Portugal foram convertidos à força ao catolicismo e passaram a ser chamados de cristãos-novos. Muitos adotaram sobrenomes portugueses comuns para se misturar à população, como explica o artigo sobre sobrenomes judaicos.
Isso quer dizer que alguns cristãos-novos podem ter usado Monteiro, assim como usaram tantos outros nomes frequentes. Só que ter o sobrenome não prova ascendência judaica. A única forma de saber é pesquisar os documentos da sua própria linha familiar.
Brasão do sobrenome Monteiro: o que é verdade
Os armoriais portugueses descrevem um brasão para a linhagem nobre dos Monteiro: escudo de prata com três trompas de caça negras, com detalhes em ouro e cordões vermelhos. As trompas fazem referência direta ao ofício de caçador.
O detalhe que pouca gente conta é que brasão nunca foi do sobrenome. Ele pertencia a uma linhagem específica, e o direito de usá-lo dependia de concessão. Por isso, sites que vendem o brasão do seu sobrenome costumam ser uma armadilha, como mostra o artigo sobre o golpe do brasão de família.
No Brasil, a questão ficou ainda mais distante: a Constituição de 1891 extinguiu os títulos de nobreza e deixou de reconhecer privilégios de nascimento.
Personalidades com o sobrenome Monteiro
O sobrenome Monteiro aparece em nomes importantes da literatura, da arte e da política brasileira.
Monteiro Lobato (1882 a 1948), escritor nascido em Taubaté, criou o Sítio do Picapau Amarelo e é um dos maiores nomes da literatura infantil do país. O Monteiro do nome vinha da família materna: o avô dele era José Francisco Monteiro, o Visconde de Tremembé.
Vicente do Rego Monteiro (1899 a 1970), pintor e escultor nascido no Recife, teve obras expostas na Semana de Arte Moderna de 1922 e é considerado um dos pioneiros do modernismo brasileiro.
Pedro Aurélio de Góis Monteiro, general alagoano nascido em 1889, foi chefe do Estado-Maior da Revolução de 1930 e ministro da Guerra no governo Vargas.
Se o seu sobrenome também veio de uma profissão ou de um lugar de Portugal, vale conhecer a história dos sobrenomes portugueses no Brasil e comparar com o que você já sabe da sua família.
Perguntas frequentes
Qual é a origem do sobrenome Monteiro?
O que significa o sobrenome Monteiro?
Quantas pessoas têm o sobrenome Monteiro no Brasil?
O sobrenome Monteiro é judeu?
O sobrenome Monteiro tem brasão?
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Fernanda Carvalho é pesquisadora e entusiasta da história dos nomes de família. Criadora do blog Mundo dos Sobrenomes, dedica-se a explorar a origem, os significados e as curiosidades por trás de sobrenomes de diferentes países e culturas, ajudando leitores a descobrir mais sobre suas raízes e identidade familiar.












