Famosos Que Mudaram de Sobrenome: os Motivos Reais Por Trás da Troca

Pessoa sentada a uma escrivaninha com fotos antigas de família espalhadas, segurando uma caneta sobre um formulário em branco

Publicado em 15 de setembro de 2026

Trocar o sobrenome de família mexe com identidade, memória e papelada. Quando quem faz isso é uma pessoa conhecida, o assunto vira manchete. Reunimos aqui casos reais de famosos que mudaram de sobrenome e, principalmente, os motivos verdadeiros por trás de cada troca.

Um aviso que evita confusão. Este texto não é sobre nome de palco. Não é sobre o cantor que assina só o primeiro nome nem sobre a atriz que escolheu um sobrenome bonito para o cartaz. É sobre gente que mudou o nome de família de verdade, no papel. Para entender a diferença entre pseudônimo e mudança oficial, vale ler antes o artigo sobre nome artístico x sobrenome de família.

Em resumo: famosos mudam o sobrenome pelos mesmos motivos que qualquer pessoa, casamento, divórcio, afastamento de um pai ausente, homenagem a quem criou, adoção, carreira ou fuga de um nome que virou piada. A lei brasileira hoje permite a maioria dessas mudanças direto no cartório.

Neste artigo:

Mudar o sobrenome de verdade x usar um nome artístico

Existe uma diferença jurídica clara entre as duas coisas. O nome artístico é um apelido público. O sobrenome de registro é o que está na sua certidão de nascimento, no RG e no CPF.

Bruna Marquezine, por exemplo, nasceu Bruna Reis Maia. Marquezine é um sobrenome da família da avó que ela passou a usar no trabalho, como a própria atriz já contou em entrevistas. No papel, o nome de registro seguiu o mesmo. Isso é nome artístico, não mudança de sobrenome.

Os casos que interessam aqui são outros. São pessoas que foram ao cartório ou à Justiça e trocaram, incluíram ou retiraram um sobrenome do próprio registro civil.

Como a lei brasileira permite mudar o sobrenome hoje

A Lei 14.382, de 2022, mudou bastante esse cenário. Quem tem 18 anos ou mais pode alterar o nome direto no cartório de registro civil, sem processo judicial na maioria dos casos.

O primeiro nome pode ser trocado uma única vez sem justificativa. Para o sobrenome, a regra é diferente. Não há limite de alterações, mas você precisa comprovar vínculo com o sobrenome que quer incluir, como o de um padrasto, de um companheiro em união estável registrada ou de um antepassado direto.

Alguns pedidos ainda passam pela Justiça, por exemplo quando o cartório suspeita de fraude ou quando alguém quer mudar o primeiro nome pela segunda vez. As regras completas estão no guia sobre como mudar o sobrenome no Brasil.

Para deixar concreto, em cada motivo abaixo explicamos o caminho que uma pessoa comum percorreria hoje para repetir aquela mudança. Trate prazos e valores como estimativa, porque a taxa varia de estado para estado, girando em torno de 100 a 400 reais em 2026.

Resumo rápido de onde cada motivo costuma se resolver hoje:

  • Casamento ou volta ao nome de solteiro: cartório, sem advogado obrigatório
  • Incluir o sobrenome de um avô ou bisavô: cartório, com as certidões que provam o parentesco
  • Transformar um sobrenome de trabalho em nome de registro: cartório, com provas de uso público e contínuo
  • Adoção: automático na nova certidão ao fim do processo
  • Tirar o sobrenome de um pai ausente por abandono afetivo: em geral pela Justiça, com provas da ausência
  • Corrigir erro antigo de grafia: cartório quando o erro é claro, Justiça quando já gerou muitos outros documentos
  • Sair de um sobrenome que virou piada ou escândalo: Justiça, mostrando o constrangimento real

Casamento e divórcio: o motivo mais comum

A maior parte das mudanças de sobrenome no Brasil ainda acontece no casamento. Desde 2002, tanto a noiva quanto o noivo podem adotar o sobrenome do outro, juntar os dois ou não mudar nada.

Nos Estados Unidos, Jennifer Lopez oficializou o sobrenome do marido depois de casar com Ben Affleck em 2022 e passou a assinar documentos como Jennifer Lynn Affleck, segundo a imprensa americana. É o mesmo movimento que milhões de brasileiras fizeram ao longo do século.

No divórcio, o caminho inverso também é possível. Quem adotou o sobrenome do cônjuge pode voltar ao nome de solteiro, e desde a Lei 14.382 isso é feito direto no cartório, sem uma nova ação. Os detalhes estão em mudança de sobrenome após o casamento.

Na prática, uma pessoa comum resolve isso levando a certidão de casamento averbada com o divórcio ao cartório onde nasceu e pedindo o retorno ao nome de solteira. É um pedido administrativo, sem advogado obrigatório.

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Tirar o sobrenome de um pai ou mãe ausente

Esse é um dos motivos que mais cresceu nos últimos anos. A pessoa carrega o sobrenome de um pai que nunca esteve presente e decide apagar esse vínculo do documento.

Em 2026, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça, com relatoria da ministra Nancy Andrighi, decidiu que o abandono afetivo justifica retirar o sobrenome do pai do registro civil, e que esse direito se estende aos filhos da pessoa. A decisão foi divulgada pelo próprio STJ e por veículos jurídicos como o IBDFAM.

Entre pessoas conhecidas, o caso mais documentado é o de Angelina Jolie. Filha do ator Jon Voight, ela pediu à Justiça da Califórnia, em 2002, para tirar Voight do nome. A mudança saiu oficialmente em setembro daquele ano, semanas depois de uma briga pública entre os dois, como noticiou a imprensa internacional.

As filhas de Angelina com Brad Pitt seguiram caminho parecido. Em 2024, ao completar 18 anos, Shiloh entrou com um pedido formal na Justiça da Califórnia para tirar Pitt do nome. Zahara já vinha se apresentando em público só como Jolie, segundo a imprensa dos Estados Unidos.

Para uma pessoa comum, esse pedido costuma exigir ação judicial quando o objetivo é excluir o sobrenome do pai por abandono. É preciso provar a ausência de convívio e de cuidado, com testemunhas e documentos. Não é automático no balcão do cartório.

Avó, mãe e neta juntas no sofá olhando um álbum de fotos antigo, três gerações da mesma família

Honrar a linha materna ou o avô que criou

Nem toda mudança serve para apagar alguém. Muitas existem para incluir quem importa.

O ator Micheál Richardson, filho de Liam Neeson, trocou o sobrenome do pai pelo da mãe, a atriz Natasha Richardson, morta em 2009. Ele contou em entrevistas que quis levar o nome dela adiante.

No Brasil, o exemplo mais lembrado é Ayrton Senna. Ele nasceu Ayrton Senna da Silva e passou a competir só como Ayrton Senna, com o sobrenome da mãe, Neyde Senna. Nesse caso foi uma escolha de carreira, não uma alteração no cartório, mas mostra o mesmo desejo de priorizar a linha materna.

Hoje, quem quer fazer isso no papel tem um caminho mais simples. A Lei 14.382 permite incluir o sobrenome de um avô ou bisavô direto no cartório, desde que você comprove o parentesco com certidões. É o chamado resgate de ancestralidade.

Na prática, a pessoa junta a própria certidão de nascimento, a dos pais e a do avô cujo sobrenome quer adotar, monta a cadeia de parentesco e protocola o pedido no registro civil. Com a papelada completa, não precisa de juiz.

Adoção: o sobrenome conta uma nova história

Na adoção, a mudança de sobrenome faz parte do processo. Quando a adoção é concluída, o cartório emite uma nova certidão de nascimento, com o nome dos pais adotivos, e a certidão antiga deixa de valer.

A criança ou o adolescente passa a levar o sobrenome da nova família. O juiz também pode mudar o primeiro nome, quando isso ajuda na adaptação.

Em abril de 2026, num caso de multiparentalidade, a Quarta Turma do STJ permitiu que um filho maior de idade trocasse o sobrenome da mãe biológica pelo dos pais socioafetivos, sem autorização dos pais de sangue, mantendo o nome da mãe no campo de filiação da certidão, conforme noticiou o Conjur. Reunimos os detalhes desse tema em adoção e sobrenome.

Para adultos que foram criados por uma família mas nunca passaram por adoção legal, o caminho para oficializar o sobrenome dessa família costuma ser judicial, com prova da relação de criação.

Quando o nome profissional vira nome de registro

Às vezes a pessoa é tão conhecida por um nome que o registro antigo perde sentido. Aí ela oficializa o nome de fama.

O caso clássico é o da Xuxa. Ela nasceu Maria da Graça Meneghel e ganhou o apelido do irmão ainda criança. Em 1988, conseguiu na Justiça incluir Xuxa na certidão e passou a ser oficialmente Maria da Graça Xuxa Meneghel. Ali o que entrou foi um apelido no lugar de um nome do meio, não um sobrenome novo, mas a lógica é a mesma: o nome público virou nome legal.

Quando o objetivo é transformar um sobrenome usado só no trabalho em sobrenome de registro, a Lei 14.382 aceita o pedido no cartório se houver como comprovar que aquele nome já é usado de forma pública e contínua, com contratos, publicações e documentos antigos.

A pessoa comum junta provas de que já é conhecida por aquele nome, contas, crachás, e-mails, matérias, e pede a averbação. Quanto mais tempo de uso comprovado, mais simples fica.

Fugir de um sobrenome que virou piada ou escândalo

A lei brasileira sempre permitiu trocar nome que expõe a pessoa ao ridículo. A Lei de Registros Públicos veda prenomes que sujeitam o portador a situação vexatória e abre caminho para a correção depois.

Cartórios já autorizaram trocas de nomes que geravam piada constante na escola e no trabalho, como mostrou reportagem do Conjur em 2017. Também entram aqui sobrenomes ligados a um parente que se envolveu em crime de grande repercussão, quando carregar aquele nome vira um peso diário.

Fora do Brasil, há casos conhecidos de famílias que abandonaram sobrenomes marcados pela história, como parentes distantes de líderes nazistas que trocaram o nome para não serem associados a eles.

Depois dos 18 anos, o primeiro nome pode ser trocado uma vez no cartório sem justificar. A antiga regra que limitava esse pedido ao intervalo entre os 18 e os 19 anos caiu com a Lei 14.382. Para tirar ou trocar um sobrenome por constrangimento, ainda costuma ser preciso mostrar ao juiz que o nome pesa de verdade, com relatos e provas.

Livro de registro civil antigo aberto sobre mesa de madeira, com uma lupa sobre a página de escrita manuscrita desbotada

Corrigir um erro antigo de cartório que já pegou

Muita gente descobre tarde que o sobrenome no documento não é o da família. Um funcionário escreveu errado há décadas e ninguém corrigiu.

Sochaczewski que virou Sorrah, Jácomo que ganhou um G e virou Giácomo, Schmidt que virou Smith. Às vezes a própria família adotou a grafia errada de propósito, para facilitar a vida no Brasil.

Quando o erro é claro e antigo, a correção é administrativa. Você leva ao cartório documentos que provam a grafia certa, como certidões dos pais e dos avós, e pede a retificação. Contamos várias dessas histórias em sobrenomes com erros de cartório.

O problema aparece quando o erro já tem muitos anos e gerou outros documentos. Aí o cartório pode pedir decisão judicial para não criar confusão em heranças e registros antigos.

O que os famosos que mudaram de sobrenome têm em comum

Olhando todos os casos juntos, aparece um padrão. Os famosos que mudaram de sobrenome não fizeram isso por capricho. Sempre há uma história de vínculo, de ausência, de carreira ou de correção por trás.

E, com a lei atual, boa parte dessas mudanças não depende mais de ser famoso nem de contratar advogado caro. O cartório resolve a maioria dos pedidos de sobrenome quando a papelada está em ordem.

Se você pensa em mudar o seu, comece reunindo as certidões da família, a sua, a dos pais e a dos avós. É esse conjunto de documentos que sustenta quase todo pedido. Depois, veja qual caminho é o seu no guia de como mudar o sobrenome no Brasil.

Perguntas frequentes

Mudar o sobrenome é a mesma coisa que ter um nome artístico?
Não. O nome artístico é um apelido público e não altera a certidão de nascimento. Mudar o sobrenome significa trocar, incluir ou retirar um nome do registro civil, no cartório ou na Justiça.
Preciso de advogado para mudar o sobrenome no cartório?
Na maioria dos casos de sobrenome, não. Desde a Lei 14.382, de 2022, o pedido é administrativo. Advogado só é obrigatório quando a mudança exige processo judicial, como retirar o sobrenome de um pai por abandono.
Quanto custa mudar o sobrenome no Brasil?
A taxa de cartório fica em torno de 100 a 400 reais, conforme o estado. Pedidos judiciais custam mais, com custas e honorários. Trate esses valores como estimativa.
Posso tirar o sobrenome do meu pai se ele nunca foi presente?
Sim, mas costuma exigir ação judicial. Em 2026, o STJ confirmou que o abandono afetivo justifica retirar o sobrenome paterno do registro, desde que a ausência de convívio e cuidado seja comprovada.
Dá para incluir o sobrenome de um avô que não está no meu registro?
Sim. A Lei 14.382 permite incluir o sobrenome de ascendentes direto no cartório, desde que você comprove o parentesco com as certidões que ligam você a esse avô ou bisavô.

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Autora Fernanda Carvalho
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Fernanda Carvalho é pesquisadora e entusiasta da história dos nomes de família. Criadora do blog Mundo dos Sobrenomes, dedica-se a explorar a origem, os significados e as curiosidades por trás de sobrenomes de diferentes países e culturas, ajudando leitores a descobrir mais sobre suas raízes e identidade familiar.

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