Publicado em 10 de setembro de 2026
Se você quer aprender como usar o FamilySearch para achar o batismo, o casamento ou o óbito de um antepassado brasileiro, este guia mostra o caminho inteiro, tela por tela, e de graça.
O FamilySearch é o maior acervo de registros de família aberto ao público no mundo. Tem bilhões de documentos digitalizados, muitos deles de cartórios e paróquias do interior do Brasil, e não cobra nada pela consulta.
O problema é que a plataforma é grande e confusa na primeira visita. Muita gente cria a conta, faz uma busca pelo nome, não acha nada e desiste achando que não existe registro. Quase sempre o registro existe, só está em outra parte do site.
Para escrever este passo a passo, fiz a busca por um sobrenome bem comum, Souza, na antiga cidade de Mariana, em Minas Gerais, e vou descrever o que aparece em cada etapa. Assim você repete o caminho com o seu sobrenome e a sua cidade.
Antes de abrir o site, vale conversar com os parentes mais velhos e anotar nomes completos, datas aproximadas e cidades. Se ainda não fez isso, veja o guia de como entrevistar os parentes mais velhos da família.
Em resumo: para usar o FamilySearch você cria uma conta gratuita e busca o antepassado primeiro em Registros e depois no Catálogo pelo município. O registro civil brasileiro começa por volta de 1889 e os livros das paróquias católicas são bem mais antigos, alguns do início do século 18.
- Crie a conta gratuita no site.
- Busque o nome do antepassado em Pesquisar, Registros.
- Sem resultado, vá em Pesquisar, Catálogo e procure pelo município.
- Abra o livro de batismo, casamento ou óbito da época e leia página por página.
Neste artigo
- O que é o FamilySearch e por que ele é gratuito
- Como criar sua conta gratuita
- Registros ou Catálogo: a diferença que muda a busca
- Como os registros brasileiros estão organizados
- Como usar o FamilySearch na prática: o passo a passo tela por tela
- Como ler as imagens digitalizadas e o que significa o cadeado
- A Árvore do FamilySearch: a vantagem e o risco da árvore única
- Dicas para letra antiga, português arcaico e variação de sobrenome
- Erros comuns que atrapalham a busca
- Perguntas frequentes
O que é o FamilySearch e por que ele é gratuito
O FamilySearch é um serviço de história de família mantido pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. A instituição fotografa e digitaliza documentos antigos em cartórios, arquivos e igrejas do mundo inteiro há décadas, primeiro em microfilme e hoje com câmeras digitais.
Tudo isso fica disponível sem mensalidade e sem plano pago. Você não precisa ter religião nenhuma nem se filiar a nada. Basta uma conta gratuita para ver a maior parte das imagens.
No Brasil, o acervo inclui livros de batismo, casamento e óbito de paróquias católicas, registro civil de cartório, listas de imigrantes, passaportes e alguns censos antigos. A cobertura varia bastante de estado para estado e de cidade para cidade.
Como criar sua conta gratuita
O cadastro leva menos de dois minutos.
- Acesse familysearch.org e clique em Criar conta.
- Escolha a opção de conta pública, informe nome, e-mail ou celular e crie uma senha.
- Confirme o código enviado por e-mail ou SMS.
- No rodapé do site, troque o idioma para Português (Brasil) se ele não vier assim.
- Pronto. Você já pode pesquisar e abrir imagens.
Sem fazer login, muita imagem aparece bloqueada mesmo quando o registro é público. Então entre na conta antes de começar a procurar.
Registros ou Catálogo: a diferença que muda a busca
Esse é o ponto que trava quase todo iniciante. O FamilySearch tem duas formas de procurar, e elas servem para coisas diferentes.
Registros, no menu em Pesquisar e depois Registros, é a busca por pessoa. Você digita o nome, o tipo de evento, o lugar e um intervalo de anos. O sistema devolve uma lista de gente. Só que isso funciona quando alguém já transcreveu aquele documento, o que se chama de registro indexado.
Catálogo, em Pesquisar e depois Catálogo, é a busca por lugar. Você digita o nome da cidade e vê a lista do que existe de acervo para ali: livros de batismo, de casamento, de óbito, registro civil, cartório de notas. Muita coisa no Catálogo ainda não foi transcrita, então você navega imagem por imagem.
Existe ainda uma terceira porta, chamada Imagens, em Pesquisar e depois Imagens, que deixa explorar conjuntos de imagens não indexadas por local e anexar o que encontrar direto na árvore.
A regra prática: comece por Registros, buscando pelo nome. Não achou, vá ao Catálogo, procure pela cidade e leia o livro da época folha por folha. A maior parte do acervo brasileiro está nesse segundo grupo.
Ao lado de cada acervo aparece um ícone que diz o que dá para fazer com ele.
- Lupa: o registro foi transcrito e dá para pesquisar por nome.
- Câmera: as imagens estão online para folhear, mas ninguém transcreveu ainda.
- Cadeado: acesso restrito por contrato, liberado num Centro do FamilySearch, numa biblioteca afiliada ou, às vezes, só fazendo login.

Como os registros brasileiros estão organizados
Saber como usar o FamilySearch no Brasil começa por entender que quase tudo se divide em dois grandes blocos. Quem explica bem essa estrutura é o próprio guia de pesquisa do Brasil no FamilySearch.
Registro civil, a partir de 1889
O registro civil de nascimento, casamento e óbito passou a ser obrigatório em todo o país por volta de 1889. Antes disso existem registros civis soltos, mas são exceção.
As coleções de registro civil do FamilySearch para vários estados começam por volta de 1889 e vão até perto de 1990. Em São Paulo, por exemplo, o intervalo mais comum vai de meados dos anos 1920 até os anos 1990.
Livros das paróquias católicas, bem mais antigos
Até 1889, quem registrava nascimento, casamento e morte era a Igreja Católica, nos livros de batismo, casamento e óbito de cada paróquia. Esses livros são o coração da pesquisa antiga no Brasil.
A coleção de registros católicos de Minas Gerais no FamilySearch cobre de 1706 a 1999. A de São Paulo vai de 1640 a 2012. A Bahia tem registros que remontam ao fim do século 16, e o Rio de Janeiro ao início do século 17. São mais de três séculos de gente registrada. Esses intervalos mudam conforme o FamilySearch adiciona coleções; os números aqui valem para o acervo de setembro de 2026.
No Catálogo, o caminho é sempre o mesmo funil: Brasil, depois o estado, depois o município, depois o assunto, que pode ser Registros da Igreja ou Registros civis. Se o seu processo é de cidadania pelo sobrenome, é nesses livros que costuma estar a certidão antiga que o consulado pede.
Como usar o FamilySearch na prática: o passo a passo tela por tela
Vou repetir aqui a demonstração com o sobrenome Souza em Mariana, Minas Gerais. Mariana é uma das cidades mais antigas do estado, com livros de paróquia que passam de 1710, então serve bem de exemplo.
Passo a passo da busca em Registros
- No menu, clique em Pesquisar e depois em Registros.
- No campo de sobrenome, digite Souza. Deixe o nome próprio em branco por enquanto.
- Em tipo de evento, escolha Batismo e coloque um intervalo de anos, por exemplo de 1750 a 1850.
- No campo de local, comece a digitar Mariana e escolha na lista a opção Mariana, Minas Gerais, Brasil.
- Clique em Pesquisar.
A tela de resultados volta com uma lista de batizados. Cada linha traz o nome da criança, a data, a paróquia e, quando o registro foi indexado, o nome do pai e da mãe. Na lateral esquerda dá para filtrar por década, por tipo de registro e por coleção.
Ao clicar em uma linha, abre a ficha com os dados transcritos. Se aparecer o desenho de uma câmera ou a frase Ver a imagem, você consegue ver a foto do livro original. Se aparecer um cadeado, o acesso é restrito, e eu explico o que fazer no próximo bloco.
Passo a passo da busca no Catálogo
- Vá em Pesquisar e depois em Catálogo.
- No campo Lugar, digite Mariana, Minas Gerais e selecione a opção que o site sugerir.
- Na lista de assuntos, procure Registros da Igreja. Vai aparecer algo como Registros de batismos, casamentos e óbitos da paróquia da Sé de Mariana, com o intervalo de anos ao lado.
- Clique no título. Abre uma página com a lista de rolos digitalizados, cada um com um número e um ícone.
- Ícone de lupa quer dizer que dá para pesquisar por nome. Ícone de câmera quer dizer que dá para folhear as imagens. Cadeado quer dizer acesso restrito.
- Clique no ícone de câmera do período que te interessa e comece a passar as páginas, olhando o índice do livro quando houver.
Foi assim que montei a demonstração. Pela busca em Registros, o sobrenome Souza em Mariana costuma devolver dezenas ou centenas de batizados nos séculos 18 e 19. Pelo Catálogo, aparecem os livros inteiros da paróquia, inclusive trechos que ninguém transcreveu ainda e que só são encontrados folheando.
Como ler as imagens digitalizadas e o que significa o cadeado
Depois de achar o registro, o passo seguinte de como usar o FamilySearch é ler a imagem. A maior parte das imagens do Brasil vem de microfilme preto e branco rodado entre as décadas de 1950 e 1990. A qualidade varia: uma página pode estar nítida e a seguinte, apagada.
No visualizador dá para dar zoom, girar a página, ajustar o brilho e baixar a imagem. Em algumas coleções existe uma ferramenta de transcrição que mostra o texto já digitado ao lado da foto.

O cadeado aparece por causa de contrato. O arquivo ou o cartório que cedeu o material pediu que aquelas imagens só fossem vistas em local controlado. Nesses casos você tem duas saídas.
- Ir a um Centro do FamilySearch, o novo nome dos antigos Centros de História Familiar, que são salas gratuitas mantidas pela Igreja em várias cidades do Brasil, onde o acesso é liberado.
- Procurar uma biblioteca afiliada ao FamilySearch, que tem a mesma liberação.
Vale checar também se você está logado. Parte dos cadeados some depois que você entra na conta.
A Árvore do FamilySearch: a vantagem e o risco da árvore única
O FamilySearch não guarda uma árvore para cada usuário. Existe uma árvore só, mundial e colaborativa. Cada pessoa que já morreu tem um único perfil, e qualquer usuário pode editar esse perfil.
A vantagem é grande. Alguém pode já ter subido três gerações da sua família com fontes anexadas. Você chega, confere os documentos e adianta anos de trabalho.
O risco também é grande. Como qualquer um edita, aparece muito palpite sem prova. Perfis de pessoas diferentes com o mesmo nome são unidos por engano, datas são trocadas e ligações de parentesco erradas ficam anos sem ninguém corrigir.
Trate a árvore colaborativa como pista, nunca como prova. Só aceite uma ligação que tenha documento anexado e que você mesmo tenha lido. Salve as suas fontes no seu computador, porque outro usuário pode mudar o perfil amanhã.
Esse cuidado com nomes repetidos merece atenção à parte. Veja o guia sobre homônimos na árvore genealógica para não colar o antepassado errado no seu ramo. E, para registrar o que já confirmou, use um modelo de árvore genealógica para imprimir.
Dicas para letra antiga, português arcaico e variação de sobrenome
A grafia dos nomes não era fixa. A mesma família aparece como Souza e Sousa, Silva e Sylva, Luiz e Luís, Anna e Ana, Xavier e Chavier. O padre escrevia como ouvia.
Por isso, procure sempre as duas ou três formas do sobrenome. No campo de nome dá para usar um asterisco como curinga, então Sou* traz Souza e Sousa de uma vez.
Na leitura das páginas antigas, alguns detalhes ajudam.
- O s comprido do meio da palavra parece um f sem o corte.
- Abreviações são constantes: Fº para filho, P.e para padre, def.to para defunto, N. Sra para Nossa Senhora.
- As datas vêm por extenso, do tipo aos vinte dias do mês de março de mil oitocentos e trinta e dois.
- Em algumas paróquias e épocas, o registro de batismo está em latim.
Um truque que funciona: leia várias páginas seguidas escritas pela mesma mão. Depois de dez ou quinze registros você decora o jeito daquele padre fazer cada letra.
Se o seu ramo vem de imigrantes, os mesmos cuidados de grafia valem para os sobrenomes estrangeiros. Há guias específicos para pesquisar ancestrais espanhóis no Brasil e para pesquisar ancestrais alemães no Brasil, com as trocas de letra mais comuns em cada idioma.
Erros comuns que atrapalham a busca
- Procurar só uma grafia do sobrenome e parar por aí.
- Confiar apenas nos Registros indexados. A maior parte do acervo brasileiro ainda não foi transcrita e só aparece navegando pelas imagens.
- Não usar o Catálogo pelo nome da cidade.
- Esquecer que a cidade pode ter nascido depois do seu antepassado. Na época, o batizado pode ter sido registrado na paróquia do município vizinho.
- Ficar preso no cadeado sem tentar o login ou um Centro do FamilySearch.
- Procurar registro civil antes de 1889, quando quem registrava era a igreja.
- Copiar a linhagem da árvore colaborativa sem conferir uma única fonte.
Com esses cuidados, você já sabe como usar o FamilySearch para resolver boa parte da pesquisa antiga sem gastar nada. O batismo do seu tataravô provavelmente está lá, esperando alguém folhear a página certa.
Se quiser um roteiro para organizar tudo o que encontrar e montar a árvore sem se perder, baixe a lista gratuita 10 Passos para Montar Sua Árvore Genealógica. Ela junta a conversa com os parentes, a busca nos registros e o registro das fontes num passo a passo curto.
Perguntas frequentes
O FamilySearch é realmente de graça?
Preciso ter alguma religião para usar?
Por que alguns registros aparecem com um cadeado?
De que ano até que ano vão os registros brasileiros?
Não achei meu antepassado na busca por nome. E agora?
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Fernanda Carvalho é pesquisadora e entusiasta da história dos nomes de família. Criadora do blog Mundo dos Sobrenomes, dedica-se a explorar a origem, os significados e as curiosidades por trás de sobrenomes de diferentes países e culturas, ajudando leitores a descobrir mais sobre suas raízes e identidade familiar.











