Publicado em 22 de julho de 2026
Escolher um nome que combine tanto para menino quanto para menina virou uma das decisões mais discutidas entre pais brasileiros nos últimos anos. Os nomes unissex brasileiros ganharam espaço nos cartórios do país, muitas vezes vindos de apelidos curtos, de nomes estrangeiros ou de tradições religiosas antigas.
Alguns desses nomes já são tão comuns que ninguém mais pergunta se são “de menino” ou “de menina”. Outros ainda são raros, mas passam tranquilamente pelo registro civil.
Em resumo: nomes unissex brasileiros são nomes próprios usados oficialmente tanto por meninos quanto por meninas, sem distinção legal entre os sexos. Exemplos consolidados são Kim, Eli, Ariel, Sasha e Cris. Segundo o IBGE, Alex já soma mais de 309 mil registros masculinos e 2,3 mil femininos entre 1930 e 2010, prova da aceitação oficial nos cartórios brasileiros.
Neste artigo:
- O que é um nome unissex e por que ele cresceu no Brasil
- Nomes unissex brasileiros mais registrados segundo o IBGE
- Nomes unissex com uso realmente equilibrado entre meninos e meninas
- Nomes unissex bíblicos e de origem religiosa
- Nomes unissex curtos e modernos que estão em alta
- Como escolher um nome unissex sem errar
- Nomes unissex passam no cartório? O que diz a lei
- Perguntas frequentes sobre nomes unissex
O que é um nome unissex e por que ele cresceu no Brasil
Um nome unissex é aquele que funciona igualmente bem para meninos e meninas, sem soar estranho em nenhum dos dois casos. Também é chamado de nome neutro ou epiceno.
Essa ideia não é nova. Nomes como Alex e Jean circulam nos dois sexos no Brasil há décadas. O que mudou foi a intenção por trás da escolha.
Três fatores explicam o crescimento recente: a influência de séries e famosos internacionais, a busca por nomes mais curtos e modernos, e o desejo de alguns pais de não reforçar estereótipos de gênero logo no nome do filho.
Também pesa a praticidade. Muitos nomes unissex nasceram como apelidos de nomes tradicionais, como Dani de Daniel ou Daniela, e acabaram virando nome de registro por conta própria.
Nomes unissex brasileiros mais registrados segundo o IBGE
Segundo o IBGE, Alex é o nome unissex brasileiro com mais registros no Censo: mais de 309 mil meninos e cerca de 2,3 mil meninas entre 1930 e 2010. Jean, Yuri e Ariel completam a lista dos quatro nomes unissex mais registrados no país.
O IBGE mantém uma ferramenta pública que mostra a frequência de qualquer nome próprio no Brasil, separada por sexo e por década de nascimento. Ela reúne o histórico de registros civis desde a década de 1930 até 2010, cruzado com os dados do Censo.
Vale lembrar que essa é a base pública mais recente e comparável disponível no site do IBGE. Embora a ferramenta leve o nome “Censo 2022”, os registros de nomes por sexo cobrem oficialmente o período de 1930 a 2010.
Consultando essa base, dá para ver que alguns nomes considerados unissex têm volume alto nos dois sexos, mesmo quando um deles predomina. A tabela abaixo mostra quatro exemplos com peso histórico relevante.
| Nome | Significado e origem | Registros segundo o IBGE (1930 a 2010) |
|---|---|---|
| Alex | Grego, “protetor da humanidade”, forma curta de Alexandre e Alexandra | Mais de 309 mil meninos e cerca de 2,3 mil meninas |
| Jean | Francês, “Deus é gracioso”, equivalente a João | Cerca de 158 mil meninos e quase 1,9 mil meninas |
| Yuri | Russo, “trabalhador da terra”, também lido como “lírio” em japonês | Mais de 73 mil meninos e cerca de 1,4 mil meninas |
| Ariel | Hebraico, “leão de Deus” ou “altar de Deus” (livro de Isaías); a ligação com anjos vem de tradições posteriores | Mais de 27 mil meninos e quase 2,7 mil meninas |
Como calculamos: os números somam a frequência de registros por década (1930 a 2010) informada pela API pública do IBGE, separada por sexo. O total masculino de Alex, por exemplo, vem da soma de todas as décadas disponíveis: 69 + 134 + 290 + 913 + 5.399 + 55.778 + 100.851 + 95.497 + 50.250 = 309.181 registros. Consulta realizada em julho de 2026.
Repare que nenhum desses quatro tem uma divisão de 50% para cada sexo. O volume total é alto, mas a proporção ainda pende bastante para um lado. Ainda assim, são nomes que o cartório brasileiro já registrou milhares de vezes para os dois sexos, o que tira qualquer dúvida sobre a aceitação deles.
Nomes unissex com uso realmente equilibrado entre meninos e meninas
Os nomes unissex brasileiros com uso mais equilibrado entre os sexos são Eli, Cris, Dani e Val. Segundo o IBGE, Eli soma mais de 26 mil registros masculinos e cerca de 18 mil femininos entre 1930 e 2010, a divisão mais próxima de 50% da lista.
Se o critério for a proporção entre os sexos, e não o volume total, outro grupo de nomes se destaca. São nomes menos numerosos, mas usados de forma mais parecida para meninos e meninas.

Eli
Eli é, na Bíblia, o nome do sacerdote que criou o profeta Samuel, e em hebraico carrega o sentido de “elevado”. O nome também é forma curta de Elias, Eliseu e Eliana, construídos sobre a raiz “El” (“Deus”), o que explica por que às vezes aparece traduzido como “meu Deus”.
Segundo o IBGE, o nome soma mais de 26 mil registros masculinos e cerca de 18 mil femininos entre 1930 e 2010, uma das divisões mais equilibradas da lista.
Cris
Forma curta de Cristiano ou Cristina, vem do grego e significa “seguidor de Cristo” ou “ungido”. O IBGE registra cerca de 1,1 mil meninos e cerca de 3,1 mil meninas com esse nome desde 1930.
Dani
Vem de Daniel ou Daniela, do hebraico “Deus é meu juiz”. No Brasil, soma quase 950 registros masculinos e 1,4 mil femininos, sempre presente nos dois sexos ao longo das décadas.
Val
Forma curta de Valentim, Valentina, Valério ou Valéria, do latim “forte, saudável, corajoso”. O IBGE mostra cerca de 940 registros masculinos e 540 femininos, um nome pequeno em volume, mas historicamente usado pelos dois sexos.
Nomes unissex bíblicos e de origem religiosa
A Bíblia é uma das maiores fontes de nomes unissex do mundo ocidental, porque muitos termos hebraicos e aramaicos designavam qualidades ou relações com Deus, sem marcação clara de gênero.
Jessé
Do hebraico “dádiva de Deus”, Jessé é o nome do pai do rei Davi na Bíblia. É considerado neutro e soma mais de 21 mil registros masculinos e cerca de 630 femininos no Brasil.
Noah
Do hebraico “descanso” ou “conforto”, remete a Noé. No Brasil ainda é mais registrado para meninos, com pouco mais de 450 registros contra 45 femininos, mas a tendência internacional é de uso cada vez mais equilibrado.
O nome Ariel, já citado antes, tem raiz hebraica bíblica: aparece no livro de Isaías como nome poético para Jerusalém, com o sentido de “leão de Deus” ou “altar de Deus”. A associação com anjos e espíritos vem de tradições posteriores, inclusive da peça “A Tempestade” de Shakespeare.
Essas tradições ajudaram a popularizar o nome no ocidente antes dele virar sinônimo da personagem de animação da Disney entre as meninas. No Brasil, o registro ainda predomina entre os meninos.
Para ver mais opções religiosas separadas por sexo, vale conferir o guia de Nomes Bíblicos Mais Bonitos para Meninos e Meninas.
Nomes unissex curtos e modernos que estão em alta
Os nomes unissex brasileiros curtos e modernos em alta incluem Kim, Kai, Sasha, Mel, Toni, Ivi e Sol. A maioria são formas reduzidas de nomes tradicionais ou palavras estrangeiras curtas, o que explica o crescimento nas redes sociais nos últimos anos.
Esse grupo reúne nomes vindos de outras línguas ou formas reduzidas de nomes tradicionais, que ganharam força justamente por soarem modernos e neutros.
Kim
Kim tem duas raízes possíveis. Como sobrenome de origem coreana, significa “ouro”. Como nome ocidental, é tradicionalmente forma curta de Kimberly, do inglês antigo, ligado a “campo perto da fortaleza real”.
O IBGE contabiliza 920 registros masculinos e 115 femininos no Brasil.
Kai
De origem havaiana, Kai significa “mar”. Ainda é raro por aqui, com cerca de 50 registros no total segundo o IBGE, mas cresce nas redes sociais como opção curta e internacional.
Sasha
Forma carinhosa russa de Alexandre ou Alexandra, significa algo como “defensora da humanidade”. No Brasil, o uso já é predominantemente feminino, com cerca de 727 registros contra apenas 20 masculinos.
Mel
Pode ser nome próprio ou apelido de Melissa e Manuela. Remete diretamente ao alimento e à ideia de doçura. O IBGE mostra mais de 4 mil registros femininos contra 85 masculinos, um uso hoje bem mais associado às meninas.
Toni
Vem de Antônio ou Antônia, do latim Antonius, nome de família romana de origem incerta. Uma interpretação tradicional liga o nome à ideia de algo “inestimável”, mas a etimologia exata nunca foi confirmada.
A maioria histórica é masculina, com mais de 7,6 mil registros contra 94 femininos, mas o nome segue oficialmente unissex.
Ivi
Forma curta de Ivete, Ivo ou Ivana, com provável ligação germânica à árvore teixo, símbolo antigo de longevidade. Hoje é majoritariamente feminino no Brasil, com 719 registros contra 43 masculinos.
Sol
Do latim “sol”, carrega a ideia de luz e vitalidade. O IBGE mostra 337 registros femininos e 107 masculinos, um nome pequeno em volume, mas usado nos dois sexos há décadas.
A pesquisadora de nomes britânica que mantém o banco de dados internacional Behind the Name classifica boa parte desses nomes como “unisex” em múltiplas culturas, o que ajuda a explicar por que eles atravessam fronteiras com tanta facilidade.
Como escolher um nome unissex sem errar
Para escolher um nome unissex sem errar, teste o nome completo em voz alta, imagine como soará na fase adulta, confirme se o apelido também funciona nos dois sexos e pesquise o histórico de uso no IBGE antes de decidir.
Antes de bater o martelo, vale testar o nome em algumas situações práticas do dia a dia, não só no papel.

- Diga o nome completo, com sobrenome, em voz alta várias vezes
- Pense em como o nome soa quando a pessoa for adulta, não só quando bebê
- Verifique se existe um apelido natural e se ele também funciona nos dois sexos
- Pesquise o nome no site do IBGE para ver o histórico real de uso
- Converse com a família sobre a escolha, principalmente se for um nome pouco comum na região
Se quiser comparar com as opções mais tradicionais antes de decidir, o ranking de Nomes Mais Usados no Brasil ajuda a entender o que já é popular e o que ainda soa diferente.
Nomes unissex passam no cartório? O que diz a lei
Sim, nomes unissex passam no cartório brasileiro sem restrição especial. A lei só permite a recusa quando o nome expõe a criança ao ridículo, o que não é o caso de nomes já consolidados como Alex, Kim ou Eli.
A Lei de Registros Públicos, número 6.015 de 1973, trata do assunto no artigo 55, com redação atualizada pela Lei 14.382/2022. O texto diz que o oficial do cartório não pode registrar prenomes que exponham a criança ao ridículo.
Fora essa restrição, não existe nenhuma lei que proíba registrar um menino com um nome mais associado a meninas ou vice-versa. O cartório não pode negar um nome só porque ele é usado por outro sexo.
Se os pais discordarem de uma recusa, o cartório não decide sozinho: precisa remeter o caso, por escrito, ao juiz competente, em um procedimento chamado suscitação de dúvida (artigo 198 da mesma lei). Para entender melhor os limites da lei, veja o artigo sobre Nomes Proibidos no Brasil.
Também vale conferir o passo a passo completo em Registro de Nascimento: Documentos Necessários e Passo a Passo no Cartório antes de ir ao cartório com o nome já decidido.
Este texto tem caráter informativo e não substitui a orientação de um advogado ou de um cartório para casos específicos.
Os nomes unissex brasileiros seguem crescendo nos cartórios do país, unindo dados oficiais do IBGE, tradição bíblica e tendências internacionais em uma mesma lista de opções bonitas e modernas. Antes de registrar, vale ler os nomes em voz alta e confirmar como soam junto ao sobrenome da família.
Perguntas frequentes sobre nomes unissex
Reunimos aqui as dúvidas mais comuns de quem está pesquisando um nome unissex para o bebê.
Perguntas frequentes
O cartório pode recusar um nome unissex?
Qual é o nome unissex mais registrado no Brasil segundo o IBGE?
Existe diferença entre nome unissex e nome neutro de gênero?
Posso registrar um nome unissex raro, mesmo que quase ninguém use?
Nomes unissex têm significado diferente para menino ou menina?
Fernanda Carvalho é pesquisadora e entusiasta da história dos nomes de família. Criadora do blog Mundo dos Sobrenomes, dedica-se a explorar a origem, os significados e as curiosidades por trás de sobrenomes de diferentes países e culturas, ajudando leitores a descobrir mais sobre suas raízes e identidade familiar.







